A não sombra da escuridão: escorpião


De todos os processos artificiais que o homem naturalizou, apenas poucos, cito dois, mesmo com ressalvas pelas influências dos códigos culturais que sofrem, o nascimento e a morte são ainda os que nos deixam mais próximos da natureza humana: o inato.

Sem todas as camadas de linguisticas, codificações, sentidos e significados o que seríamos, ou melhor, o que somos?

O que é natural?

Este território bruto, não lapidado, desconhecido.

Tudo o que pensarmos que é, ainda não o será pois chegaremos pela via artificial da comunicação e do pensamento impregnado de códigos.

É sobre o intrínseco, o emaranhado das entranhas e da visceralidade, no mais alto requinte da naturalidade bruta que Escorpião habita.

Despido. Camadas à dentro.

É desta total falta de sentido (significados e códigos), sem luz de consciência ou juízo, a caverna de Platão, o abismal do ser, a beleza imperfeita, não maquiada, não codificada, não artificial.

Escorpião é renascimento, expurgo, desvelamento, mergulho.

Em fossas abissais, a muito além de quatro mil metros de profundidade, abaixo do leito oceânico do ser, onde a escuridão engole a luz e um ecossistema psíquico corrente e ondulante faz morada. Em um universo muito mais auditivo, sem imagens, não há sombras, a escuta e fala.

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Bem-vindxs. - Por Ana Andreiolo
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