top of page

para sempre você

A cada instante ela perdia o fio

da atenção.

Tecia outro fio e de novo o perdia.

Na esquina, a encruzilhada a lembrava que não sabia de qual rua vinha.

Perder-se é encontrar o centro.

É aquele estranho mal estar contínuo como se tivesse esquecido alguma coisa ao sair de casa.

Seria o ferro ligado, o fogão aceso, um filho no colégio, uma memória apagada?

Esqueci alguma coisa que me pediu que fizesse? Esqueci dos livros que gosto e das coisas que sabia?

É como não ter as memórias dos dois anos de idade, só que ontem e anteontem, hoje e mês passado.

Talvez seja um achatamento de dimensões, o plano onde tudo sempre tem uma linha de começo. Sem recorrências ou acúmulos da simultâneos, apenas a eternidade.

bottom of page